Uma das coisas
que mais me irrita é homem machista. Não porque eu me sinto parte do famoso
“sexo frágil” e gosto de me fazer de coitada quando algum desses idiotas faz
algum comentário ainda mais idiota do que eles sobre as limitações femininas,
mas porque não tenho paciência com quem fala dos outros sem se olhar no
espelho.
Eu nunca dirigi
bem mesmo, gastei o dobro do valor pra fazer a habilitação porque subi na
calçada quando fui estacionar e ainda xinguei a examinadora. E isso foi depois
de fazer 10 aulas a mais do que o mínimo exigido pelo Detran, porque meus pais
me aconselharam, ao verem o perigo que a sociedade correria assim que eu saísse
pelas ruas dirigindo qualquer coisa motorizada que fosse. Mas a diferença entre
mim e um homem que sai por aí correndo e posando de piloto é que, ele, se for
parado numa blitz, vai ter todos os seus documentos – e o interior de seu
veículo – revistados, enquanto eu, sendo simpática e inteligente, provavelmente
nem serei abordada.
Mas meu objetivo
aqui é alertar esses palhacinhos sobre o seguinte: nós mulheres não só estamos
conquistando nosso espaço, como os senhores estão se transformando em
menininhas. E isso me irrita, excessivamente, a ponto de pensar que o melhor
era quando éramos, de fato, o sexo frágil. Confesso que prefiro lavar a louça
do que ter um namorado que controla todos os meus passos, alternando
reclamações sobre futilidades – como o fato de eu ter muitos amigos homens – e
cenas de ciúmes desnecessárias.
Será que vocês,
meus queridos, não conseguem entender que a gente só queria alguém pra dividir
as funções consideradas até então exclusivamente femininas, pra termos tempo
pra fazer mais coisa da vida? Todas nós gostamos – e precisamos – de alguém que
nos faça sentir seguras, protegidas, ou sei lá como chamam isso porque eu,
sinceramente, passei a cuidar da minha proteção sozinha desde que namorei um
desses ‘eminhos’ aí e fiquei toda cheia de traumas até hoje.
A gente quer
beber cerveja até cair e falar palavrão contando que vocês estarão lá pra
carregar no colo, em caso de exagero. Mas vocês tão até fazendo as unhas,
PORFA! Nós queremos sair com nossas amigas assim como vocês saem com os de
vocês, pra falar daqueles corpos que tanto desejamos e que não vamos atrás
simplesmente pelo fato de sabermos que são ‘muita areia pro nosso
caminhãozinho’. Aí vem o namorado mandando mil mensagens e ligando...
Assim não dá pra
ser feliz. Podem achar que somos exigentes, mas nos sentimos no direito de
dizer que queremos – e merecemos – um homem de verdade (ou mais, no caso de
quem não se satisfaz só com um): inteligente, atencioso, bonito e com pegada
boa. E pra ser tudo isso não precisa ser bicha não. Vocês é que não sabem
diferenciar as coisas, se comportam como ogros ou flores e acham ruim quando a
gente reclama ou arruma outro.


