Mulheres têm nojo de barata, de sapo e de
lagartixa – bem, espero não ser a única. Não comem qualquer coisa, pensando nas
inúmeras bactérias que habitam alimentos preparados sem as devidas condições de
higiene. Não sentam no vaso sanitário quando são obrigadas a fazer suas
necessidades fisiológicas em banheiro público – aqui cabe registrar que o cansativo
exercício de apoiar as mãos nas paredes para manter o equilíbrio tem seu lado
bom: o efeito é o mesmo que o de algumas sessões de agachamento, mas ocorre
naturalmente, sem que seja necessário calçar um par de tênis e abandonar o
estado de torpor comum aos menos fanáticos por malhação, para se arrastar até a
academia mais próxima. Entretanto, quando o assunto é sexo, não há como escapar
de situações como o atrito entre as peles, a troca de fluídos corporais, o suor
e odores diversos. Encerrar esse tipo de atividade com o cabelo impecável e o
make-up intacto é uma missão tão impossível, que nem Tom Cruise se fosse mulher
sairia ileso – cá entre nós, não há penteado que resista a uma boa pegada. Preocupações
descabidas como essas e muitas outras podem
até parecer coisa de mulherzinha, mas, rebeldias capilares à parte, certas
frescuras durante o ato sexual não são exclusividade feminina. Acreditem, há
muito homem reprimido solto no mundo. Já acreditei que tamanho P, “pressa” e
falta de criatividade poderiam ser os únicos detalhes a decepcionar em um homem.
Até ser surpreendida por relatos absurdamente broxantes, como os que revelarei
a seguir:
O maníaco
por banho
Todos nós sabemos que tomar banho é uma
necessidade básica, mesmo quando não há segundas intenções. Poucas coisas podem
ser piores que exalar odores desagradáveis ou senti-los enquanto a outra pessoa
está se despindo. Porém, a preocupação do protagonista desse parágrafo era tão
exagerada, que seu hábito virou motivo de reclamação da namorada, que se dizia
incomodada com a previsibilidade do Sr. Limpinho. Segundo ela, era como se ele
seguisse sempre um mesmo roteiro, desde as posições até a ordem em que as
mesmas eram colocadas em prática. Com ele, não existiam episódios repentinos; acontecia
tudo na mesma Bat-hora e no mesmo Bat-local. As rapidinhas eram tão proibidas
quanto eram consideradas as publicações do Index pela Igreja Católica do século
XVI – a menos que ambos tivessem acabado de tomar uma ducha. Tal comportamento
também reprimia a menina, que se sentia impedida de ousar, propondo transas em horas
e lugares improváveis, se não houvesse um chuveiro por perto. O que nosso amigo
não sabia é que mulheres adoram ser surpreendidas, não apenas com flores e
chocolates, mas principalmente com uma pegada mais forte num momento
inesperado. Mesmo que não tenham coragem de falar abertamente, meus caros
leitores, o que todas desejam é escapar da cama para profanar a mesa da sala de
jantar, a bancada da cozinha e o banco do carro. Portanto, aprendam de uma vez
por todas: regular o mercúrio dos bons modos, nessas horas, tende a ser
tedioso.
O que não
dividia o chuveiro
Um segundo relato envolvendo banho me leva a crer
que esse pode ser um momento sagrado para algumas tribos. Desta vez, o
personagem principal tinha como “particularidade” (digamos que esta é minha forma
de abusar do eufemismo para mencionar sua esquisitice) o fato de se recusar a
dividir o chuveiro com a mulher. A justificativa era que ele não se sentia à
vontade lavando as partes baixas na presença dela. Preciso dizer mais alguma
coisa? Ah..., preciso. O mesmo cara que não se permitia tomar uma chuveirada
com uma dama se recusava a beijar a esposa depois de ser contemplado com uma
sessão de sexo oral. Segundo a versão da vítima, o bruto era categórico ao afirmar
o nojinho de seu próprio bilau.
O que tinha
medo de ficar oleoso
Alguns artigos de sexshop podem ser assustadores,
tanto para os homens quanto para as mulheres. Por outro lado, boa parte deles é
inofensiva. É o caso dos óleos corporais, que possuem variadas versões, desde as
aromatizadas e comestíveis, até aquelas que intensificam o calor ou provocam
rápido esfriamento nas regiões onde são aplicadas. Em um 12 de junho qualquer,
uma amiga resolveu investir em um kit de óleos para massagem, com o intuito de surpreender
o excêntrico namorado. Foi só tirar os produtos da bolsa, que o indivíduo fez
cara de asco e disse que NEM A PAU ELA IRIA PASSAR AQUELA COISA nele. A menina
até tentou convencê-lo do contrário, porém sem êxito. O grosseirão mostrou-se irredutível
e disse que não queria ficar oleoso. Resultado: virou motivo de piada na roda
de amigas da namorada e subsídio para esse texto.
Talvez pela velocidade com que começam e terminam,
hoje em dia é comum que os relacionamentos venham acompanhados de surpresas –
afinal, pode nem dar tempo de conhecer a fundo as pessoas com quem nos
relacionamos. Da mesma forma como alguns casais acabam descobrindo uma química
eletrizante, outros parecem incompatíveis sexualmente, por maiores que sejam a
boa vontade e a atração física. Nem sempre conseguimos acertar, mas rever nossos
conceitos de tempos em tempos pode ajudar. Algumas lições devem ser revistas – e
uma delas tem tudo a ver com aquele velho ditado: “nunca digas dessa água não beberei”.
Isso porque, ao longo do caminho, tendemos a contrariar nossas próprias
expectativas, o que é ótimo, principalmente quando deixamos de lado nossos
temidos e inquisidores tribunais. Não faz sentido medir a qualidade moral de um
indivíduo pelo teor de seus atos ou desejos – ou seja: esqueça o pudor
excessivo, pois isso não vai ajudá-lo a meter a cara na máscara da santidade;
vai apenas levá-lo a um relacionamento morno, fadado ao fracasso. Sexo bom é o
livre de preconceitos, regras e atitudes premeditadas. É aquele que revela feras
dentro de cães acorrentados, incentivando os envolvidos a testarem seus
limites. Não tem a ver apenas com hora ou lugar, mas sim com todos os outros
itens que habitam essa atmosfera de eterna curiosidade, na qual qualquer farelo
de convicção deve ser deixado para trás.
