Apesar de ser o primeiro item
colocado na mesa na maioria das conversas sobre maturidade, a idade não está
necessariamente ligada a essa circunstância. Nem mesmo a certidão de nascimento
mais amarelada garante que seu dono tenha atingido esse estado de
desenvolvimento comportamental e afetivo. Provas disso são os milhares de
“garotões” na casa dos 40, que insistem em permanecer na barra da saia da mãe,
por falta de coragem de assumir as responsabilidades da vida adulta. Sem falar naqueles que não conseguem levar a sério
seus relacionamentos, por medo de se comprometer e um dia ter que dar um passo
maior do que suas frágeis e cansadas perninhas aguentam. Por outro lado, caras
jovens podem surpreender com atitudes atípicas para sua idade. Registros de
nascimento à parte, alguns simples detalhes diferenciam homens de meninos.
Homens não precisam “maquiar” sua própria realidade; meninos adoram
exageros
Garotinhos que usam roupas sérias
demais, falam difícil e têm o iPhone como melhor companheiro são vistos
constantemente por aí. Tentam parecer ocupados o tempo todo, como se isso fosse
lhes render algum status. Na tentativa de passar a imagem de austeridade,
mantêm o mesmo semblante fechado de quem se sente incomodado por usar uma cueca
apertada demais. Na maior parte dos casos, não passam de meros ASPONES
(Assessores de Porra Nenhuma) e, apesar de quase nada produzir, assumem ares de
importância de alguém extremamente atarefado.
Há ainda os que sobrevivem de
rolos e trambiques em geral, mas no Facebook são “diretores/gerentes na empresa
Blá blá blá Company” ou qualquer outro nome americanizado que inventaram pra batizar
seu negócio – cuja sede pode ser, inclusive, seu próprio quarto; aquele que
virou moda chamar de “home office”. São os mesmos que, segundo as informações
que disponibilizam em seus perfis nas redes sociais, falam inglês, espanhol,
francês, italiano e mandarim.
Homens de verdade, por sua vez,
não se preocupam com ostentação. Não mentem que estão sempre na “correria” ou que
não têm “tempo para nada”, nem ficam repetindo discursos prontos como “meu
trabalho é minha paixão e minha prioridade”. Eles não vestem a máscara; têm
segurança suficiente para agradar sem precisar maquiar ou enaltecer tudo o que
possuem.
Homens falam o que lhes incomoda; meninos choram se contrariados
Quando se está em uma relação, é
preciso que haja comprometimento de ambos os lados. Isso inclui lealdade,
sinceridade e honestidade. Se algo não vai bem, o homem de verdade abre o jogo
com naturalidade, na tentativa de fazer as coisas melhorarem. Sabem pedir
gentilmente um pouco mais de empenho do outro lado, para que ambos estejam
satisfeitos.
Cometer atitudes que incomodam o
outro e pisar na bola de vez em quando... isso é completamente normal. Anormal
é varrer a poeira para baixo do tapete, fingindo que nada aconteceu até o
problema virar uma bola de neve e se tornar insustentável. Pior, se ofender e
se afastar de repente, como se a mulher tivesse bola de cristal e obrigação de
adivinhar o que foi que aconteceu – atitude típica de meninão.
Meninões foram mimados por pais
que faziam todas as suas vontades na infância, para não vê-los sapatear até ter
o que desejassem. Ao invés de dialogar, esses pais tentavam distrair as crianças
para não ser incomodados. Tal criação faz com que elas cresçam acreditando no
poder de vencer a tudo e todos no cansaço, nem que seja à base da chantagem
emocional – hábito esse que, inclusive, é transferido aos relacionamentos
amorosos, na tentativa de submeter a parceira às suas escolhas. Apesar de
algumas atitudes juvenis até parecerem engraçadinhas em alguns momentos, vale
lembrar as palavras de Schopenhauer: não se perdoa em um homem o que se acha
graça numa criança.
Em um de seus ensaios, Montaigne
cita a frase de Aristóteles, de que havia uma nação onde as mulheres eram
comuns a todos e, por isso, os filhos eram atribuídos aos pais pela semelhança.
No entanto, pais e filhos costumam ter em comum muito mais que a aparência.
“Que prodígio é esse que aquela gota de sêmen de que somos feitos traga em si
as marcas não só da forma corporal mas dos pensamentos e inclinações de nossos
pais?”, questiona o escritor francês. De fato, herdamos de nossos progenitores
alguns padrões de comportamento que são cada vez mais reforçados pelo convívio.
De alguns até tentamos fugir, o que nem sempre é possível.
Pais mimados criam meninões
egoístas, pois para eles esse estilo de vida é natural. O mais surpreendente é
que, por não saber fazer nada sozinhos, eles costumam depender da mulher para
tudo; mesmo assim, mostram-se arbitrários, machistas e grosseiros – quase
sempre reproduzindo o que cresceram vendo o pai fazer com a mãe.
Em “Idade Madura”, Carlos
Drummond de Andrade fala de sinais que aos vinte anos não via. Infelizmente, há
quem passe pela vida sem nunca conseguir enxergá-los. Alguns meninos tornam-se
homens; outros sempre serão meninos, por mais bagagem que possam acumular ao
longo de sua existência. Apesar da dificuldade para identificá-los logo de
cara, uma coisa é certa e a convivência não deixa dúvidas: o menino sempre
escorrega onde o homem caminha livre.



