Desde que se tornaram comuns os
relacionamentos abertos/sem compromisso/enrolados ou seja lá como pode ser
definida essa modalidade de pegação, o famoso “número do desaparecimento” vem
sendo cada vez mais freqüente na vida das pessoas. Traduzindo em miúdos,
podemos usar um circo para representar a vida de uma mulher, levando em conta
que os homens são os palhaços.
A coisa funciona mais ou menos
assim: você ta na sua, na maior alegria de viver, quando de repente surge uma
criatura do sexo masculino aparentemente cheia de amor pra dar. Elogio pra cá,
elogio pra lá (o que é mais comum quando você acabou de publicar no Facebook
uma foto de vestido curto/decotado)... ele te convida pra sair. Às vezes você
leva um tempo pra aceitar – pode variar de dias a meses. Mas um dia, talvez por
falta de opção ou por simples interesse mesmo, aceita o convite. Papo vai, papo
vem, rola a pegação. A partir daí, a história pode tomar vários rumos.
Suponhamos que ele tenha
demonstrado curtir a pegada, mandando mensagens no celular, chamando no chat do
Facebook, convidando pra sair novamente... enfim, mantendo contato diário. Que
sinal estará o palhacinho passando? “Gostei, quero te ver de novo”, certo? [Eu, pelo menos, se fico com alguém e não
gosto ou não pretendo repetir, não faço novo contato.] Dependendo dos
próximos programas, a idéia acaba sendo reforçada. Por exemplo: levar a garota
à sua roda de amigos, convidar pra ir ao cinema e pra jantar, cogitar viajar
junto, ser gentil demais, fazer muitos elogios... esses todos são sinais de que
você pode até ser palhaço, mas está bem intencionado. Corrijam-me se eu estiver
errada, por favor. Imagino eu que um homem que só quer sexo ou pretende pegar
todas as mulheres do planeta ao mesmo tempo não vai ter esse tipo de atitude,
provavelmente ele até consideraria isso um tipo de “queimação de filme”.
Voltando ao cenário anterior: as
saídas são freqüentes, os dois parecem estar curtindo. De repente, sem mais nem
menos, o palhacinho some. Estranho, será que ele morreu? Não, uma hora você
percebe que ele não morreu. Publica mil coisas (inclusive fotos) no Facebook,
faz check-in em vários lugares. Você percebe que ele está ótimo, por aí,
curtindo a vida. Que bom, nada mais justo; solteiros são solteiros. Mas a
pergunta fica ali, martelando na sua cabeça: o que foi que aconteceu? O que eu
fiz de errado? Será que falaram mal de mim e ele é um bundão sem personalidade?
Você que está lendo esse texto
deve pensar: “PQP mina, ninguém é obrigado a continuar saindo com uma mulher só
porque saiu algumas vezes e mandou umas mensagens diárias naquele período”. Claro
que não! Todo mundo tem direito de enjoar, de achar que a pessoa perdeu o
encanto... de simplesmente não ver mais razão alguma pra estar com ela. Além
disso, pode surgir alguém mais interessante. Você também pode pensar: “o cara devia
estar querendo apenas sexo, deve ter conseguido o que queria e aí sumiu do
mapa... normal”. Pois é aí que você se engana! O “número do desaparecimento”
acontece até mesmo antes de duas pessoas “chegarem às vias de fato”.
Resumo da ópera: não ser de
ninguém tem inúmeros lados positivos. Os principais são: não precisar dar
satisfação a ninguém, ter o direito de mudar de idéia sem precisar se explicar,
pegar uma num dia e outra no outro, deixar de sair junto sem se incomodar com os
assuntos burocráticos que um namoro envolve, entre outros. Mas se você “ta na
pista pra negócio” e não quer se apegar a ninguém, que tal mandar os sinais
certos? Ninguém é obrigada a ter bola de cristal. Essa história de estar na
maior babação de ovo, tratando tipo namoradinha e incluindo a pobre coitada em
todos os programas, como se fossem um verdadeiro casal, não combina com as
intenções que acabo de citar, né? Quem não quer nada sério marca encontros
casuais, do tipo “tô passando na sua casa e é óbvio que nós dois sabemos que
vamos direto pro motel”. Ou então marca de se encontrar na balada – cada um com
o seu carro, claro.
Mais uma dica: mulher esperta
odeia ser vista em público com qualquer homem – e acredito que homem esperto
também compartilha desse pensamento. Se é só sacanagem, curtição; se não há
intenção de nenhum dos dois partir pra algo mais sério ou apenas fixo, pra que
essa exposição desnecessária? Melhor pegar in off, não? Pra terminar: trate as
pessoas como gostaria de ser tratado, assim evitam-se mal entendidos dos dois
lados e todos podem ser felizes para sempre :)
*P.S.: Antes que a carapuça sirva a quem quer que seja, gostaria de
deixar claro que, apesar de já ter sido vítima do “número do desaparecimento”,
esse blog não é autobiográfico. Vamos tratar, desde já, de assuntos de
interesse de quaisquer pessoas, sejam elas quem forem. Quando eu quiser
escrever somente sobre coisas que aconteceram comigo, vou comprar um diário com
folhinhas perfumadas e cadeado, daqueles super populares entre as menininhas da
década de 90.