Sabe aqueles
momentos de espera interminável, que acabam aproximando pessoas completamente
desconhecidas por meio de alguma filosofia de boteco, quando alguém puxa
assunto na tentativa de fazer o tempo passar mais rápido? Pois bem, recentemente
uma filosofia de padaria – nome autoexplicativo – me chamou a atenção enquanto
aguardava o churrasco que havia encomendado, em um domingo qualquer sozinha em
casa.
Uma mulher que
também estava esperando a carne ficar pronta iniciou um assunto qualquer, que
levou à seguinte conclusão: a vida das pessoas bonitas é muito mais difícil que
a das feias. Na hora me perguntei: “como assim? Ser bonito é muito mais fácil,
você consegue muita coisa sem precisar se esforçar”. Por exemplo: uma mulher
bonita nunca vai ter que trocar um pneu furado. Em poucos minutos vai aparecer
algum cara metido a conquistador barato, que vai enxergar naquela situação uma
oportunidade pra se aproximar, sem nem precisar usar uma de suas cantadas de
pedreiro. O mesmo ocorre quando uma pessoa bonita comete um erro: é incrível
como fica mais fácil relevar seus deslizes. Já se ela fosse feia...
Voltando à
tese da minha coleguinha da padaria, a justificativa apresentada por ela para
explicar o sofrimento dos bonitos foi a seguinte: as pessoas favorecidas pela
genética esperam muito da vida, acham que sempre vão se dar bem e conseguir o
que querem, enquanto as desprovidas de beleza são acostumadas a levar tombos e
se levantar rapidamente, partindo para a próxima. Afinal de contas, nunca
nutrem grandes expectativas diante de um desafio. Se ganharem, ótimo; caso
contrário, vida que segue. Sem traumas. Enquanto isso, as bonitas ficam
amargando suas derrotas, tentando entender durante séculos como foi possível
aquilo acontecer.
Uma mulher que
tem consciência de estar longe de qualquer padrão de beleza acha normal ficar na
seca, estar solteira por bastante tempo. A linda, por sua vez, não se conforma.
Pra piorar, outras pessoas olham para ela e dizem coisas como: “não acredito
que uma mulher linda como você esteja sozinha”. Pra feia ninguém fala nada;
afinal, a falta de poder de atração está na cara ahahahahaha
Mais uma
desvantagem dos bonitos: assim como os ricos, acabam atraindo muita gente oportunista,
que se aproxima apenas pela sua aparência, sem qualquer interesse em seu
conteúdo. Já os “esforçados, mas fracos de aparência” não precisam se preocupar
com isso.
Quase esqueci
de mencionar como os homens feios se dão melhor que os bonitos, já que boa
parte das mulheres evita qualquer relacionamento sério com os que fazem o tipo “galã
de novela das 9” por medo de se incomodar. Sabem que sempre vai ter um número
maior de piriguetes em cima, assediando e tentando tirar uma casquinha. Se
também for rico, então...!
O fato é que,
como diz aquela famosa frase, “beleza não põe a mesa” – mas abre o apetite.
Qualquer conquista que tem uma ajudinha da beleza precisa se consolidar de
outra forma mais tarde. Bonitas ou feias, as pessoas passam a vida precisando
provar suas qualidades para conseguir se firmar de alguma maneira. E ninguém
consegue enganar durante a vida toda apenas com um rostinho bonito.

Oi, Bruna e Ana! Vi o blog pelo face de Ernandes e adorei todos os textos, especialmente este. Parabéns, meninas! Leitura inteligente, engraçada e agradável!!
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