A velha máxima de que “amigo de
mulher é cabeleireiro” nunca se aplicou às minhas relações pessoais. Discordo
completamente do escritor Oscar Wilde, que disse que “entre um homem e uma
mulher não é possível haver amizade”, apenas “paixão, hostilidade, veneração,
amor, mas amizade, não". Desde muito jovem, sempre estive cercada de
vários homens, fazendo os papéis de confidentes, conselheiros, parceiros de
balada e até mesmo carregando minha mochila quando brigava com minha mãe e
ameaçava fugir de casa com a roupa do corpo, o telefone celular e uma chapinha
para cabelo.
Boa parte desses homens permanece
em minha vida até hoje, mas novos surgiram. Já cometi o grave erro de me
afastar dos meus melhores amigos devido às crises de ciúmes de um namorado
inseguro e possessivo, mas atualmente tenho plena consciência de como foi
absurda minha atitude (amigos verdadeiros nunca serão uma ameaça a um casal) e quão
necessário é ter esses homens por perto.
Como não compartilho da opinião
do poeta argentino Jorge Luis Borges (“a amizade entre homem e mulher, mesmo
que inconscientemente, é sempre um pouco erótica”), faço uma ressalva: é
adequado que a relação não tenha segundas intenções, para não correr o risco de
desestabilizá-la. É claro que fica muito mais fácil evitar esse tipo de
equívoco se não houver atração física. Nietzsche, inclusive, só acreditava na
manutenção de uma amizade intersexual se houvesse uma pequena antipatia física.
Intelectualismo à parte, seguem abaixo cinco motivos pelos quais as mulheres
PRE-CI-SAM de amigos do sexo oposto:
Primeiro: não há competitividade nas
amizades entre homens e mulheres. Enquanto são comuns os atritos entre amigas,
por diversos motivos – os principais continuam sendo as disputas pela atenção
do mesmo boy, seguidas de competições relacionadas à aparência e inveja –, com
os homens o relacionamento é mais transparente. Os interesses são completamente
diferentes. Desta forma, não há razão para falsidade, ainda mais com o intuito
de sair na frente quando há algum tipo de concorrência. Um ponto a menos para o
“eterno feminino” de Goethe que, apesar de ser o que atrai o sexo oposto, também
revela particularidades não tão agradáveis das mulheres.
Segundo: eles podem ser ótimos
conselheiros amorosos. Por compartilhar da visão masculina, raramente erram ao
opinar sobre os dilemas apresentados pelas amigas. Eles conseguem se colocar no
lugar do cara, explicando o que você não entende. Além disso, costumam ser
honestos e não iludi-las. Se contar algo sobre um affair, não espere que ele diga que o cara está super a fim de
você, apenas para deixá-la feliz e satisfeita. Se sentir que ele não está tão a
fim, o amigo provavelmente jogará limpo, aconselhando-a a partir para outra, por
mais doloroso que possa ser ouvir isso.
Terceiro: normalmente, homens
andam em grupos, que podem ser compostos por gente interessante. Se você for
solteira e estiver à procura, um amigo pode facilitar as coisas, apresentando
um dos seus. Além disso, pode fazer o “meio de campo”, reforçando o quanto a
amiga é bonita, divertida, inteligente, etc. Também pode informá-la com
detalhes sobre a personalidade do rapaz e suas reais intenções. Em alguns
casos, a receita é tão assertiva, que o amigo acaba promovido de cupido a
padrinho de casamento. Pode ser mera coincidência, mas a maioria dos casais
felizes que conheço foi apresentada por um amigo em comum.
Quarto: a sensação de estar
protegida ao lado de um homem é inegável. Não sou grande admiradora da teoria da
mulher sexo frágil, mas adoro ter alguém que possa me defender. E um amigo
consegue fazer isso de forma magistral. Ele pode ser muito útil em uma viagem,
por exemplo, quando a mulher encontra-se em terreno desconhecido. Além de afastar
gente mal intencionada e fazer gentilezas – como carregar a mala e pedir a
comida no restaurante –, o colega do sexo oposto pode ter outras utilidades,
incluindo dirigir e traçar o roteiro do passeio. Vale lembrar que estudos sobre
habilidade espacial revelaram que o senso de direção apurado é um dos efeitos
colaterais dos altos níveis de testosterona; ou seja: os machos se localizam com
muito mais facilidade que as fêmeas.
Quinto: a amizade com um homem
permite que a mulher tenha um contato maior com o universo masculino, que é
descontraído e descomplicado. Conversar com eles é diferente, pois sempre podem
acrescentar algo de bom. Por outro lado, ao conversar com amigas mulheres,
muitas vezes sinto como se estivesse olhando no espelho, reproduzindo minha
própria voz e as mesmas angústias. Por meio de seus gostos e preferências,
amigos podem apresentar um mundo novo. Além das opiniões diferenciadas, o papo
com os homens tem mais uma vantagem: eles são diretos; não costumam ser tão dramáticos
como as mulheres, que adoram fazer tempestade em copo d’água.
Resumindo: não basta querer o
melhor para você e tentar ajudar; para isso, é preciso ser sincero e imparcial.
Depois dos cinco itens, ainda preciso dizer que os homens estão muitos passos à
frente das mulheres nesse quesito?
*Texto dedicado a cinco
homens que fazem a diferença na minha vida – Alexandre Semmer, Joe Ulanowicz,
Marcos Fiorese, Conrado Dall Igna e Daniel Hamud – e a mais um, que apesar de
não ser exatamente meu amigo, tem me incentivado muito, ajudando a escrever
todos os textos deste blog.

Excelente texto minha querida, você ta melhorando cada vez mais heim... Até citando uns autores estrangeiros, vou acreditar em vc e não vou procurar pra ver se existem mesmo AhauhauaHuah...
ResponderExcluirE muito obrigado pela lembrança, mas poxa... Somos só amigos mesmo =( ??? HUAuAHuAHua
Bjuuus saudades das minhas irmãs gêmeas preferidas eheheh :P
Olha só hein Bruna que texto sensacional bem escrito e com colaboradores indiretos. Adorei os diferentes prismar que vc colocou no texto. Meu sincero abraço. E sucesso nas demais redações ;)
ResponderExcluirBorges, sempre foda.
ResponderExcluirGostei da observação do Borges
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