Dizem que a incapacidade de
aceitar a perda é uma forma de insanidade. Faz sentido, uma vez que a simples
possibilidade de perder o objeto do nosso afeto pode virar ao avesso nossa vida.
O medo pode deixar a imaginação perigosamente fértil e até gerar crises de
autoconfiança. De repente, passamos a agir contra nossos princípios e, não
raramente, rodamos a baiana sem motivo. Quem luta constantemente contra
possíveis vínculos emocionais pode fazer coisas absurdas, mesmo que inconscientemente,
numa compulsiva tentativa de autossabotagem.
A comédia romântica ‘Como perder
um homem em dez dias’ traz um enredo semelhante ao que foi descrito acima.
Nela, a personagem de Kate Hudson faz de tudo para atormentar o namorado e forçá-lo
a terminar com ela – incluindo encher o apartamento dele de samambaias medonhas
e “presenteá-lo” com um cachorro que vive fazendo xixi em sua mesa de sinuca.
No filme, a intenção da protagonista é usar a experiência como subsídio para escrever
um artigo sobre o assunto. Na vida real, nos sabotamos para nos poupar de um
eventual sofrimento. Com medo de perder, agimos loucamente e afastamos as pessoas,
acreditando que tudo tem prazo de validade e que não vale a pena passar pela
dor do fim.
Relacionamentos mal sucedidos
costumam deixar feridas que, nem sempre, conseguimos curar. Com as experiências
ruins, descobrimos que gostar dói. E pensar na hipótese de recomeçar pode ser
pavoroso. Na prática, não é nada fácil passar novamente por todo aquele ciclo
de se apaixonar, ser feliz, entrar em crise, terminar e passar dias secando as
lágrimas e ouvindo “Você não me ensinou a te esquecer” do Caetano.
Assim, trilhamos novos caminhos,
fugindo de hipérboles de sentimentos, enquanto as lembranças negativas dão
espaço a uma angústia permanente. Nessa incessante busca pela temperança
perdida, mal percebemos que repetimos padrões de comportamento capazes de
destruir nossas próprias vidas. Somos vítimas de nós mesmos.
Por outro lado, já dizia Vinicius
de Moraes: “amor só é bom se doer”. Partindo dessa
premissa, é preciso aceitar o sofrimento, pois a dor é parte inevitável da
vida. Vivê-la em sua totalidade inclui as duas faces da moeda. Masoquismo à
parte, ter prazer sem ao menos uma pitadinha de dor não faz sentido. Quem se
entrega a sentimentos mais intensos precisa conhecer as consequências disso e
entender que, ou se leva o combo, ou não se leva nada.

http://www.vagalume.com.br/paulinho-moska/do-amor.html
ResponderExcluiróptimo texto!!!
ResponderExcluirMuito bacana....
ResponderExcluir