Geração vai, geração vem e a história é sempre a mesma: meninas brincando de casinha; meninos de carrinhos, bolas de futebol. Tal fato sempre me deixou intrigada; afinal de contas, personagens femininos e masculinos deveriam fazer parte da brincadeira de ambos os sexos, já que famílias são compostas, em geral, de mães, pais e filhos (não necessariamente, é claro), e os bonecos seguem essa composição. Acredito que o ato de brincar de casinha pode estar relacionado ao grande desejo, poucas vezes inconsciente, de grande parte das mulheres: casar. E não apenas isso: casar de véu e grinalda! Apesar de alguns homens até pensarem em protagonizar um casamento nos moldes tradicionais, é fato que isso é muito mais raro entre eles.
Durante vários meses, acompanhei a saga de uma amiga às voltas com os preparativos de seu pomposo casamento. Os relatos se referiam, desde a incessante busca pelo sapato ideal, até a equivocada previsão de gastos – que foram praticamente triplicados. Ao mesmo tempo, falava com animação sobre o apartamento adquirido na planta pelo casal. Narrado por ela, o processo de escolha dos acabamentos (azulejos do banheiro, porta de vidro da lavanderia, etc) parecia empolgante. Como ocorre com a maioria dos jovens recém casados, ainda mais em se tratando da vida nas grandes cidades (onde o preço do metro quadrado é absurdo), era um imóvel pequeno – apesar de aconchegante e ideal para os futuros moradores. Certo dia, perguntei se não seria melhor aplicar o valor da festa de casamento na compra de um lar mais espaçoso. Sem pensar duas vezes, minha amiga respondeu que não; que se tratava de um grande sonho, pelo qual valia a pena pagar caro. Na hora achei graça... "que coisa de maluco!"; depois me peguei analisando a importância do casamento na vida das pessoas, mesmo que nunca tenha feito parte dos meus pensamentos.
O valor do casamento para a maioria das mulheres pode ter tudo a ver com a pressão cultural. Crescemos ouvindo perguntas do tipo "já arrumou namorado?" ou "vai casar quando?", além de advertências como "não escolha demais, pra não ficar pra titia". A propósito, esse é o medo de muitas, que acabam casando com qualquer um no desespero; afinal, é o que tem para hoje. Atualmente, é comum casar depois dos 30 - o que, no passado, era assustador e digno de pena; me faz lembrar do relato de Gilberto Freyre, sobre as mulheres da época colonial casando aos 12 anos de idade com homens de 40 e passando os próximos 20 anos de sua vida parindo descendentes brancos para os senhores de engenho. Ainda assim, há quem tenha pressa. Uma amiga, após alguns relacionamentos frustrados (poucos, na verdade, o que reforça seu temor em ficar sozinha, pois sequer teve disposição para tentar mais que duas ou três vezes), casou com um cara de quem reclamava desde o início do relacionamento, quando tudo deveria ser lindo e livre de problemas. Quando a questionei sobre a decisão, ela rapidamente me respondeu: "tenho medo de não arrumar nada melhor".
Na contramão disso tudo, há quem não se importe com essas convenções. Apesar de tentar entender as necessidades, prioridades e desejos alheios, não consigo me enxergar na pele da noiva sonhadora. Nunca fui do tipo que senta na cadeira do salão de beleza e folheia revistas de casamento. Sequer imaginei, algum dia, que tipo de vestido ou penteado gostaria de usar no "dia D". Não me agrada a ideia de programar, durante meses, uma festa na qual passarei boa parte do tempo sorridente, tirando fotos ao lado de padrinhos e demais convidados, ao invés de encher a cara e me divertir de verdade. De fato, nunca me encaixei no papel de mãe de boneca nenhuma.
Independentemente de planejar um megaevento, assinar papéis e jurar amor eterno na saúde e na doença, prosperar depende de respeito e consideração. Ao decidir compartilhar a vida com alguém, é preciso levar a sério o rito de passagem que ocorre nesse importante momento. A escolha deve ser consciente, pois implica em várias mudanças: as decisões passam a ser conjuntas, torna-se necessário ceder e receber uma contrapartida, além de dar satisfações e colocar em prática virtudes como a tolerância e a paciência. É imprescindível aceitar todas as versões do outro, inclusive as piores. E a recompensa vem com o tempo, quando não mais é preciso ultrapassar um muro para saber o que há por trás dele. E aí, um brinde ao amor, à intimidade e à cumplicidade. Com ou sem buquês, casadinhos, vestidos brancos ou chuvas de arroz que o antecedem.
Durante vários meses, acompanhei a saga de uma amiga às voltas com os preparativos de seu pomposo casamento. Os relatos se referiam, desde a incessante busca pelo sapato ideal, até a equivocada previsão de gastos – que foram praticamente triplicados. Ao mesmo tempo, falava com animação sobre o apartamento adquirido na planta pelo casal. Narrado por ela, o processo de escolha dos acabamentos (azulejos do banheiro, porta de vidro da lavanderia, etc) parecia empolgante. Como ocorre com a maioria dos jovens recém casados, ainda mais em se tratando da vida nas grandes cidades (onde o preço do metro quadrado é absurdo), era um imóvel pequeno – apesar de aconchegante e ideal para os futuros moradores. Certo dia, perguntei se não seria melhor aplicar o valor da festa de casamento na compra de um lar mais espaçoso. Sem pensar duas vezes, minha amiga respondeu que não; que se tratava de um grande sonho, pelo qual valia a pena pagar caro. Na hora achei graça... "que coisa de maluco!"; depois me peguei analisando a importância do casamento na vida das pessoas, mesmo que nunca tenha feito parte dos meus pensamentos.
O valor do casamento para a maioria das mulheres pode ter tudo a ver com a pressão cultural. Crescemos ouvindo perguntas do tipo "já arrumou namorado?" ou "vai casar quando?", além de advertências como "não escolha demais, pra não ficar pra titia". A propósito, esse é o medo de muitas, que acabam casando com qualquer um no desespero; afinal, é o que tem para hoje. Atualmente, é comum casar depois dos 30 - o que, no passado, era assustador e digno de pena; me faz lembrar do relato de Gilberto Freyre, sobre as mulheres da época colonial casando aos 12 anos de idade com homens de 40 e passando os próximos 20 anos de sua vida parindo descendentes brancos para os senhores de engenho. Ainda assim, há quem tenha pressa. Uma amiga, após alguns relacionamentos frustrados (poucos, na verdade, o que reforça seu temor em ficar sozinha, pois sequer teve disposição para tentar mais que duas ou três vezes), casou com um cara de quem reclamava desde o início do relacionamento, quando tudo deveria ser lindo e livre de problemas. Quando a questionei sobre a decisão, ela rapidamente me respondeu: "tenho medo de não arrumar nada melhor".
Na contramão disso tudo, há quem não se importe com essas convenções. Apesar de tentar entender as necessidades, prioridades e desejos alheios, não consigo me enxergar na pele da noiva sonhadora. Nunca fui do tipo que senta na cadeira do salão de beleza e folheia revistas de casamento. Sequer imaginei, algum dia, que tipo de vestido ou penteado gostaria de usar no "dia D". Não me agrada a ideia de programar, durante meses, uma festa na qual passarei boa parte do tempo sorridente, tirando fotos ao lado de padrinhos e demais convidados, ao invés de encher a cara e me divertir de verdade. De fato, nunca me encaixei no papel de mãe de boneca nenhuma.
Independentemente de planejar um megaevento, assinar papéis e jurar amor eterno na saúde e na doença, prosperar depende de respeito e consideração. Ao decidir compartilhar a vida com alguém, é preciso levar a sério o rito de passagem que ocorre nesse importante momento. A escolha deve ser consciente, pois implica em várias mudanças: as decisões passam a ser conjuntas, torna-se necessário ceder e receber uma contrapartida, além de dar satisfações e colocar em prática virtudes como a tolerância e a paciência. É imprescindível aceitar todas as versões do outro, inclusive as piores. E a recompensa vem com o tempo, quando não mais é preciso ultrapassar um muro para saber o que há por trás dele. E aí, um brinde ao amor, à intimidade e à cumplicidade. Com ou sem buquês, casadinhos, vestidos brancos ou chuvas de arroz que o antecedem.

Nunca pensei em casar na igreja, de vestido, véu, grinalda e todas essas pompas. Mas a lua de mel não sai da minha cabeça. Incrivel como penso em fazer uma viagem romântica. Enfim, vai entender. Bjos
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